Biscoito da Sorte
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Créditos: Mario Gusmão
Postado por Հђαηġ Հїყi às 04:29 1 comentários
O Rio (Fragmento)
quinta-feira, 7 de junho de 2007A metade do poema sobressalta-me sempre um grande desamparo,
tudo me abandona, não há nada a meu lado,
nem sequer esses olhos que por detrás contemplam o que escrevo,
não há atrás nem adiante, a pena se rebela, não há começo nem
fim, tampouco muro que saltar,
é uma esplanada deserta o poema, o dito não está dito, o não dito
é indizível,
torres, terraços devastados, babil8nias, um mar de sal negro, um
reino cego,
Não,
deter-me, calar, fechar os olhos até que brote de minhas pálpebras
uma espiga, um repuxo de sóis,
e o alfabeto ondule longamente sob o vento do sonho e a maré suba
em onda e a onda rompa o dique,
esperar até que o papel se cubra de astros e seja o poema um
bosque de palavras enlaçadas,
Não, não tenho nada a dizer; ninguém tem nada a dizer, nada nem
ninguém exceto o sangue,
nada senão este ir e vir do sangue, este escrever sobre o já escrito
e repetir a mesma palavra na metade do poema,
sílabas de tempo, letras rotas, gotas de tinta, sangue que vai e vem
e não diz nada e me leva consigo.
- Octavio Paz (Trad. Haroldo de Campos)
Postado por Հђαηġ Հїყi às 05:41 0 comentários
O dia em que o vento deixou sua semente no mar...
quarta-feira, 6 de junho de 2007Não. Mas ele queria.
Não. Mas ela desejava.
E na luta entre o querer e o desejar, fez-se o sim.
E o vento virou neblina e confundiu a visão de todos.
E o mar moveu-se rápído invadindo tudo, tomando conta dos espaços.
E o vento soprava forte, fazia os cabelos dela dançar.
E o mar lhe afogava o corpo.
E o vento deixou a pele dela arrepiada.
E o mar deixou a pele dele arrepiada.
Levantou-se uma ventania.
Onda gigante.
Tufão.
Maremoto.
Furacão.
Tsunami.
Trovão e relâmpagos a enfeitar o céu.
Luz cintilante a enfeitar o fundo do mar.
O vento revolto fazia-a dançar.
O mar embalado, dançava ao ritmo do vento.
Explosão no fundo do mar.
E aconteceu o impensável...
O vento levou uma semente ao mar.
E o mar acolheu a semente em seu ventre.
Morna.
Aconchegante.
Fecunda.
E o vento descansou tal qual brisa leve em dia fresco.
E o mar acalmou-se como lago em dia claro.
Suave vento a refrescar a pele suada.
Orvalho em manhã de sol.
Sim. Mas ele não podia.
Sim. Mas ela não devia.
E foi assim o dia que o vento deixou sua semente no mar...
Postado por Հђαηġ Հїყi às 11:52 1 comentários
My confession
terça-feira, 5 de junho de 2007Postado por Հђαηġ Հїყi às 12:25 0 comentários
Marcadores: Vídeos
O Tigre e o Dragão
segunda-feira, 4 de junho de 2007Na mitologia chinesa, a expressão Tigre Agachado, Dragão Escondido (tirado do título original do filme O Tigre e o Dragão) representa alguém que esconde sua verdadeira força dos outros. Ao longo das duas horas do mais recente e espetacular trabalho do diretor Ang Lee (nascido em Taiwan e o mesmo de Razão e Sensibilidadee Tempestade de Gelo), você irá descobrir o significado deste enigma. Pode-se dizer que seu queixo vai rolar no chão. Tanto que a produção conseguiu nada menos que dez indicações para o Oscar deste ano, inclusive melhor filme, roteiro e direção. Nada mal para uma fábula toda falada em mandarim (um dos dialetos chineses).
Shu Lien (Michelle Yeoh) e o famoso guerreiro Li Mu Bai (Chow Yun-Fat) tentam encontrar a misteriosa figura que levou a espada que Bai entregou a um nobre aristocrata, simbolizando que sua vida de luta havia chegado ao fim. As suspeitas recaem sobre a veterana criminosa Jade Fox (Cheng Pei-Pei), a mesma que, no passado, assassinou o mestre de Bai. Neste meio tempo, Shu faz amizade com Jen Yu (Ziyi Zhang), filha do governador de Pequim, uma jovem cheia de segredos.
Ricardo Matsumoto (in web)
Postado por Հђαηġ Հїყi às 11:53 1 comentários
Marcadores: Resenhas de Filmes
Vento, Água, Pedra
A água perfura a pedra,
o vento dispersa a água,
a pedra detém ao vento.
Água, vento, pedra.
O vento esculpe a pedra,
a pedra é taça da água,
a água escapa e é vento.
Pedra, vento, água.
O vento em seus giros canta,
a água ao andar murmura,
a pedra imóvel se cala.
Vento, água, pedra.
Um é outro e é nenhum:
entre seus nomes vazios
passam e se desvanecem.
Água, pedra, vento.
- Octavio Paz
Postado por Հђαηġ Հїყi às 09:26 0 comentários
A Perda
domingo, 3 de junho de 2007No templo há uma poesia chamada "A Perda", entalhada na pedra.
Ela consiste de 3 palavras que foram rasuradas pelo poeta.
Não se pode ler "A Perda".
Só senti-la.
Postado por Հђαηġ Հїყi às 16:16 0 comentários
Marcadores: Memórias de uma Gueixa
Beleza extraordinária
sábado, 2 de junho de 2007Em seu primeiro olhar, a cidade se curvaria ante seus joelhos.
Em seu segundo olhar, o império cairia em ruínas.
Que possa ser mais estimada que a sua beleza. ♫
Postado por Հђαηġ Հїყi às 05:49 0 comentários
Marcadores: Clã das Adagas